segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Quando o amor calça sapatilhas...

Grupo Asas para Dançar , no Teatro Nacional, em 08.10.2012.
O amor poderia andar descalço, usar scarpin ou calçar um tênis, mas ele escolheu que seria melhor sair de casa com sapatilhas nos pés. 

As sapatilhas deixaram o amor mais confiante e diziam ao amor que com elas, ele seria capaz de fazer qualquer coisa. 

Embora o amor se sentisse infinitamente mais belo com aquelas sapatilhas, não conseguia acreditar que elas o empoderassem. 

O amor era medroso. Achava aquelas sapatilhas muito frágeis. O amor tinha medo de se machucar.

Mas, numa determinada noite, o amor saiu de casa sem pensar em muita coisa, como saem os amantes quando estão apaixonados: não pensou se daria certo, não pensou nos obstáculos que enfrentaria com aquelas sapatilhas tão simples e pouco seguras num mundo cheio de pedras. 

O amor simplesmente as calçou e elas o levaram onde ele nunca imaginou que um dia pudesse chegar. 



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Apenas reze.

Termino de ler meu livro e entro no quarto. Tudo escuro. Apenas a lua que sentou na minha janela ilumina o sono dos meus filhos. Olho pra eles e minha vida silencia por alguns segundos. Minha filha toda coberta, de lado, encolhida com as mãozinhas abaixo da orelha. Meu filho todo estirado, com a cabecinha toda suada - ele está sempre com calor - e aquela carinha de quem dorme o "sono dos justos". Agradeço a Deus e rezo em silêncio. Sei que este é um momento doce e sublime e que por toda vida desejarei revivê-lo. Cama é ninho.
Eles precisam mesmo um dia crescer? Aprender a dirigir? Dormir na casa de gente que eu não conheço? Chegar em casa tarde? Pior, chegar em casa de manhã??? Precisam mesmo sair de casa? Morar sozinhos? Namorar, casar, sofrer por amor??? Ai,  Deus, como eu desejarei que o tempo volte e que eles estejam ali naquela cama. 
Respiro, volto na sala, tomo um copo de água, como meio pacote de amendoim que comprei ontem no Jerivá. Sinto-me tão idiota. Penso no meu pai e nas infinitas noites que ele me esperou no sofá da sala. Lembro de meus incansáveis discursos sobre a liberdade e das milhares de vezes que os repito para todos, inclusive para os meus filhos. Pensei: "- Liberdade é boa para os filhos dos outros."
Rezei de novo e tive a inexorável certeza de que um dia isso será tudo que eu poderei fazer.