quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Santa Maria, rogai por nós!

É na dor mais profunda e na alegria mais desvairada que nossa humanidade mais crua se revela. 
Santa Maria nos grita quem somos: seres humanos frágeis, sem garantia nenhuma nesta Terra. 
Pequenos e frágeis. É o que somos. 
Vendo aquelas mães e pais órfãos de seus filhos não pude deixar de pensar nos meus. Agradeci imensamente pelo dia de hoje e por ainda tê-los comigo. Pedi a Deus alguma garantia de que nada acontecerá com eles nos próximos 100 anos, porque eu não suportaria (como se alguém fosse capaz de suportar tamanha dor). Deus permaneceu em silêncio. Nenhuma garantia. Nenhum sinal de que meu pedido será atendido. Nada. 
Diante do silêncio agoniante do Pai, lembrei da última vez em que vi um dos dois desacordados (meus filhos são peritos em me dar sustos e já os vi assim mais de uma vez cada um). Tem menos de um mês: 23 dias para ser mais precisa. É uma sensação horrorosa... A impotência mais pura e completa diante da vida de quem amamos. Rezei por cada um daqueles homens e mulheres. Pedi o milagre do conforto. Sim, ele existe!
Pelos que tem seus filhos ainda internados, pedi o milagre da vida. 
Por cada um de nós eu pedi o milagre da solidariedade, da indignação, dos olhos e palavras atentos, das mãos estendidas... pedi o milagre dos transplantes, do sangue, da pele, dos corações que ainda batem. 
E pedi, principalmente, que não esperemos mais milagres e que não cruzemos nossos braços diante daquilo que só cabe a cada um de nós fazer. 
Adriana Monteiro da Silva