quarta-feira, 28 de março de 2012

Falando de amor






Há cerca de um mês tomei uma decisão que acho que todo mundo deveria imitar, se ainda não faz. Reservei um dia da semana para mim. É um dia em que saio do trabalho mais cedo e me reservo a me encontrar comigo mesma, com amigas e amigos queridos para fazer programas que podem de alguma forma encher a minha vida... É o dia de poetizar a vida e de sair do chão, relaxar, e curtir uma hora especial. 

Hoje fui curtir a natureza na Água Mineral e depois estiquei para o Casa Park. A pedida não podia ser melhor: "A música segundo Tom Jobim". Música do começo ao fim.  O que posso dizer é que poucas vezes vi algo tão perfeito!

Como cresci ouvindo Tom, cada música tocada no filme parecia uma viagem no tempo. Amores, amigos eternos, meus pais, meu irmão... cada música tem a cara de alguém que eu amo ou me lembra um dado momento da vida. Tom cantou o amor em praticamente todas suas músicas, nas mais diferentes formas, estilos e línguas.  E cantando o amor, tornou o mundo melhor. Tornou minha vida melhor. Incrível! Em 1 hora e meia, chorei, dei risada, senti saudade, muita saudade e senti muita alegria por poder parar a vida por um minuto e rever tanta coisa bela dentro de mim.

Recomendo a todos! Viva o Tom e toda herança deste mestre!

Adriana Monteiro da Silva


domingo, 11 de março de 2012

A idade que nos permitimos

"- Mamãe, quantos anos tem meu avô?"
"- 64, filho!"
"- 64, mamãe! Que que é isso??"

Quando crianças, achamos que qualquer idade acima dos 20 significa velhice. No entanto, chegamos aos 30 nos sentindo com 20, aos 40 nos sentindo com 30 e por aí vai! Tenho 36 anos e acho que quando eu estiver com 45 minha vida estará apenas começando. 

Tá... os seios já não apontam para o céu. Duas amamentações, uma pele que não é das mais rígidas, nenhum silicone. É claro que eles não são mais os mesmos. Estrias, tenho desde que tenho 09 anos. Celulite idem. Com certeza, não sou mais aquela menina do "corpinho violão". Mas quem precisa dele?? Os homens?? Os garotos talvez. Os homens não. 

Envelhecer virou sinônimo de desespero para a maioria das mulheres. Votamos e somos votadas. Alcançamos o poder em todas as suas esferas. Já provamos que somos capazes de ocupar qualquer cargo e que temos tanta competência quanto eles. Ainda não alcançamos os mesmos salários e ainda falta muito para se falar em igualdade, mas quando vejo algumas amigas - (pasmem!) muitas mais jovens que eu - desesperadas  atrás de um bisturi, penso até onde vai a violência contra a mulher.

Sim, violência! Velada, permeada de belos anúncios, discreta, sutil, mas ela está lá! Socializada, aceita e imposta. Com todas as mazelas que permeiam todas as violências. 
Quantos homens não obesos se submetem a cirúrgias plásticas por causa de uma barriguinha fora do lugar? Quantos homens utilizam-se de botox para corrigir uma mínima ruga? 
"É que a mulher precisa estar sempre linda." Muitas e muitos dirão.
Eu diria: "Para toda mulher linda, existe um barrigudo, careca e que se acha." Ao menos, é o que eu vejo nas ruas. Enfim, nos cuidamos demais. E eles, muito pouco. Ainda assim, eles se acham! E nós esquecemos que temos que "nos achar" mesmo! Eles estão certos!

Mas, minha pergunta é: "Quem diz o que é belo?"
Não, não sou contra nada disso. Pelo contrário. Trabalho com produtos de beleza. Tem algo melhor do que nos sentirmos bem? Todos e todas temos o dever de cuidar do corpo, com o cuidado que cuidamos da alma e da mente. 
O que me irrita é essa violência que nos nega até o direito da idade. 

Durante um tempo, eu sonhava em colocar silicone. Hoje, olho para os meus filhos, para a minha história, para tudo que já passei e penso que meus seios são uma parte preciosa desta história e que cada um dos sinais que o tempo tem deixado em mim são um pedacinho muito especial do que hoje sou. E desejo ardentemente cada um deles.

De todas as coisas, restou apenas a certeza de que era necessário ir em frente.
Os conceitos antigos precisavam de reformulação. Os preconceitos precisavam ficar de lado. Era impossível vivenciar o que estava chegando sem deixar a velha Adriana para trás.
Dela eu quero muita coisa. Quero os tombos, os aprendizados e os acertos. Mas há algo nela que eu não desejo. Quero que seus medos se calem; que seus preconceitos se destrinchem e transformem-se em conceitos verdadeiros; que a vida se abra; que o sorriso prevaleça sobre a dor e que os momentos difíceis sejam unicamente lembrados como aprendizados.
É isso. Parece que agora estou mais pronta.