domingo, 11 de março de 2012

A idade que nos permitimos

"- Mamãe, quantos anos tem meu avô?"
"- 64, filho!"
"- 64, mamãe! Que que é isso??"

Quando crianças, achamos que qualquer idade acima dos 20 significa velhice. No entanto, chegamos aos 30 nos sentindo com 20, aos 40 nos sentindo com 30 e por aí vai! Tenho 36 anos e acho que quando eu estiver com 45 minha vida estará apenas começando. 

Tá... os seios já não apontam para o céu. Duas amamentações, uma pele que não é das mais rígidas, nenhum silicone. É claro que eles não são mais os mesmos. Estrias, tenho desde que tenho 09 anos. Celulite idem. Com certeza, não sou mais aquela menina do "corpinho violão". Mas quem precisa dele?? Os homens?? Os garotos talvez. Os homens não. 

Envelhecer virou sinônimo de desespero para a maioria das mulheres. Votamos e somos votadas. Alcançamos o poder em todas as suas esferas. Já provamos que somos capazes de ocupar qualquer cargo e que temos tanta competência quanto eles. Ainda não alcançamos os mesmos salários e ainda falta muito para se falar em igualdade, mas quando vejo algumas amigas - (pasmem!) muitas mais jovens que eu - desesperadas  atrás de um bisturi, penso até onde vai a violência contra a mulher.

Sim, violência! Velada, permeada de belos anúncios, discreta, sutil, mas ela está lá! Socializada, aceita e imposta. Com todas as mazelas que permeiam todas as violências. 
Quantos homens não obesos se submetem a cirúrgias plásticas por causa de uma barriguinha fora do lugar? Quantos homens utilizam-se de botox para corrigir uma mínima ruga? 
"É que a mulher precisa estar sempre linda." Muitas e muitos dirão.
Eu diria: "Para toda mulher linda, existe um barrigudo, careca e que se acha." Ao menos, é o que eu vejo nas ruas. Enfim, nos cuidamos demais. E eles, muito pouco. Ainda assim, eles se acham! E nós esquecemos que temos que "nos achar" mesmo! Eles estão certos!

Mas, minha pergunta é: "Quem diz o que é belo?"
Não, não sou contra nada disso. Pelo contrário. Trabalho com produtos de beleza. Tem algo melhor do que nos sentirmos bem? Todos e todas temos o dever de cuidar do corpo, com o cuidado que cuidamos da alma e da mente. 
O que me irrita é essa violência que nos nega até o direito da idade. 

Durante um tempo, eu sonhava em colocar silicone. Hoje, olho para os meus filhos, para a minha história, para tudo que já passei e penso que meus seios são uma parte preciosa desta história e que cada um dos sinais que o tempo tem deixado em mim são um pedacinho muito especial do que hoje sou. E desejo ardentemente cada um deles.

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