| Eu, com um ano, e minha mãe |
D. Graça se foi quando eu tinha 18 anos. E já se passaram quase 20... mas parece que foi ontem, porque colo de mãe é coisa inigualável e quando elas se vão deixam saudades e buracos que o tempo não é capaz de preencher... ao menos, não por completo...
Mas o tal do tempo é um grande aliado e com ele vamos aprendendo a nos reinventar, e eu fui reconhecendo minha mãe e sua herança de amor em muitos outros colos: no do meu pai, incansável na sua arte de me aceitar do jeitinho que eu sou; na minha madrasta, que virou avó dos meus filhos e não se nega a lhes dar todo amor deste mundo; em minhas tias, especialmente tia Ana e tia Maria, que se fazem presentes em minha vida constantemente; em alguns amigos, que não me faltam nas horas em que eu mais preciso; e até nos meus próprios filhos que enchem minha vida de amor e de alegria todos dos dias.
E hoje, a mãe sou eu. Gosto de ser mãe. É o meu papel preferido, embora eu saiba que todos os outros são importantes e igualmente especiais, eu gosto de ser mãe. Gosto de chegar em casa e receber aquele mundo de beijos, afagos e abraços; gosto de colocar eles na cama pra dormir, como se eu tivesse algum controle sobre aquelas vidas e seus futuros; gosto de risada de criança, de comida de criança, de filme e de música de criança; gosto de sua pureza e inocência diante da vida; gosto de ver como são corajosos e como não se intimidam diante dos desafios e intempéries da vida e gosto principalmente da capacidade que as crianças têm de entender tudo que lhes é explicado com simplicidade.
Amo a teimosia e a desobediência dos pequeninos. Estes dias, pedi a Deus que mantenha em meus filhos a capacidade de me desobedecer: nem sempre estou certa, não sei de tudo e sinto que eles possuem habilidades suficientes para serem melhores do que fui até hoje.
Meus filhos me ensinaram que a vida é simples. Crianças sorriem quando ganham balinha e são capazes de dar um grito de alegria diante de uma casquinha de sorvete. Crianças não tem vergonha de si mesmas, nem dos outros. Crianças não se concentram naquilo que não lhes traz alegria, não se interessam por aquilo que não lhes desperte a criatividade e a imaginação e nem se prendem a pessoas que não lhes retribuem o amor que elas disponibilizam.
Crianças não cultuam ódios, nem preconceitos, a não ser quando são ensinadas a fazê-lo. Crianças não tem medo de dizer que não sabem, não hesitam em chorar quando se sentem tristes e não mascaram sentimentos.
Mas, meus filhos não serão crianças para sempre e eu, como toda mãe que se importa - sim, existem mães que não se importam - tenho medo. Sinto um frio na barriga todos os dias em que costuro com cuidado suas asas. Quem pode viver sem asas? Eles a querem intensamente, como um dia eu as desejei e eu preciso vencer meus medos, dia-a-dia, para ir costurando estas asas da melhor forma, para que consigam produzir o melhor vôo, para que proporcionem a eles o melhor passeio neste mundo.
O que eu queria de dia das mães? Queria alguma garantia, algo que me dissesse que estou fazendo o que é certo, algo que acalentasse o meu coração e me livrasse da culpa diária da maternidade - toda mãe sabe do que falo - algo que me fizesse acreditar que eu sou uma boa mãe.
Mas não há garantia para isso. É preciso viver cada pedacinho de vida e assumir que mãe não é Deus. Acho que essa é a minha maior dificuldade neste papel. Aceitar minha impotência e incapacidade de resolver todas as coisa por eles, de protegê-los a cada novo passo - ou vôo - de me desvencilhar da minha soberba e me aceitar incapaz.
Então, o que eu desejo a todas as mães é o que eu desejo também para mim: desejo que se aceitem pequeninas; desejo que se perdoem pelos erros, pelas falhas, pelos momentos em que não puderam fazer nada; desejo que se saibam únicas e preciosas, com todos os seus medos, erros, acertos, culpas; desejo que não desistam de seus próprios desejos; desejo que saibam ser um pouco egoístas, porque não há como fazer alguém feliz, quando não se é feliz; desejo que saibam que há diferença entre ser mãe e parir; desejo que tenham fé em algo que as sustente; desejo que aceitem a si mesmas e que se achem mulheres especiais; desejo que não se furtem ao amor de seus filhos; desejo que reconheçam os erros deles e que os ajudem a crescer; desejo-lhes paciência; desejo-lhes um bom companheiro, que torne a vida mais afável; desejo segurança, aconchego, ternura, paz; desejo poesia, gota de chuva, mão-na-mão, flores, sol, música e sorrisos e também desejo lágrimas porque nenhuma vida é feita só de sorrisos.
Para todas as mães: as de sangue; as de coração; para os pais que são mães; para as mães de pessoas que, por algum motivo, estão excluídas socialmente; para as mães de pessoas desaparecidas; para as mães que nunca mais viram seus filhos; para as mães que vivem coladas neles; para as mães que não se sentem mães; para as mães de estrelinhas; para as mães que são avós e bisavós; para as que ainda não são, mas desejam ser mãe.
Beijos com amor,
Adriana Monteiro da Silva
| Ana Luísa com João Arthur no colo |
E hoje, a mãe sou eu. Gosto de ser mãe. É o meu papel preferido, embora eu saiba que todos os outros são importantes e igualmente especiais, eu gosto de ser mãe. Gosto de chegar em casa e receber aquele mundo de beijos, afagos e abraços; gosto de colocar eles na cama pra dormir, como se eu tivesse algum controle sobre aquelas vidas e seus futuros; gosto de risada de criança, de comida de criança, de filme e de música de criança; gosto de sua pureza e inocência diante da vida; gosto de ver como são corajosos e como não se intimidam diante dos desafios e intempéries da vida e gosto principalmente da capacidade que as crianças têm de entender tudo que lhes é explicado com simplicidade.
Amo a teimosia e a desobediência dos pequeninos. Estes dias, pedi a Deus que mantenha em meus filhos a capacidade de me desobedecer: nem sempre estou certa, não sei de tudo e sinto que eles possuem habilidades suficientes para serem melhores do que fui até hoje.
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| Eu, João e Ana - Foto de Lorena Lopes |
Crianças não cultuam ódios, nem preconceitos, a não ser quando são ensinadas a fazê-lo. Crianças não tem medo de dizer que não sabem, não hesitam em chorar quando se sentem tristes e não mascaram sentimentos.
Mas, meus filhos não serão crianças para sempre e eu, como toda mãe que se importa - sim, existem mães que não se importam - tenho medo. Sinto um frio na barriga todos os dias em que costuro com cuidado suas asas. Quem pode viver sem asas? Eles a querem intensamente, como um dia eu as desejei e eu preciso vencer meus medos, dia-a-dia, para ir costurando estas asas da melhor forma, para que consigam produzir o melhor vôo, para que proporcionem a eles o melhor passeio neste mundo.
O que eu queria de dia das mães? Queria alguma garantia, algo que me dissesse que estou fazendo o que é certo, algo que acalentasse o meu coração e me livrasse da culpa diária da maternidade - toda mãe sabe do que falo - algo que me fizesse acreditar que eu sou uma boa mãe.
Mas não há garantia para isso. É preciso viver cada pedacinho de vida e assumir que mãe não é Deus. Acho que essa é a minha maior dificuldade neste papel. Aceitar minha impotência e incapacidade de resolver todas as coisa por eles, de protegê-los a cada novo passo - ou vôo - de me desvencilhar da minha soberba e me aceitar incapaz.
Então, o que eu desejo a todas as mães é o que eu desejo também para mim: desejo que se aceitem pequeninas; desejo que se perdoem pelos erros, pelas falhas, pelos momentos em que não puderam fazer nada; desejo que se saibam únicas e preciosas, com todos os seus medos, erros, acertos, culpas; desejo que não desistam de seus próprios desejos; desejo que saibam ser um pouco egoístas, porque não há como fazer alguém feliz, quando não se é feliz; desejo que saibam que há diferença entre ser mãe e parir; desejo que tenham fé em algo que as sustente; desejo que aceitem a si mesmas e que se achem mulheres especiais; desejo que não se furtem ao amor de seus filhos; desejo que reconheçam os erros deles e que os ajudem a crescer; desejo-lhes paciência; desejo-lhes um bom companheiro, que torne a vida mais afável; desejo segurança, aconchego, ternura, paz; desejo poesia, gota de chuva, mão-na-mão, flores, sol, música e sorrisos e também desejo lágrimas porque nenhuma vida é feita só de sorrisos.
Para todas as mães: as de sangue; as de coração; para os pais que são mães; para as mães de pessoas que, por algum motivo, estão excluídas socialmente; para as mães de pessoas desaparecidas; para as mães que nunca mais viram seus filhos; para as mães que vivem coladas neles; para as mães que não se sentem mães; para as mães de estrelinhas; para as mães que são avós e bisavós; para as que ainda não são, mas desejam ser mãe.
Beijos com amor,
Adriana Monteiro da Silva


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