No fundo, ela sabia. Algo havia se quebrado. Seu riso era diferente. Ela não se reconhecia mais. Sua tristeza havia lhe tirado até sua identidade. Olhava pra ele e tudo aquilo não fazia muito sentido, senão pelo pequeno Francisco que ainda segurava em seus braços. O garoto precisava dos dois, pensava. Por outro lado, de que dois ele estava sentindo falta? Faltava acalanto, ternura, afeto, faltava uma música que lhes saltasse a alma e fizesse com que os dois se reconhecessem de novo. Há muito ela esperava que a música tocasse, mas o CD parecia arranhado e o que tocava ela realmente não queria mais ouvir.
Sim, havia uma vontade de estar junto. Ela já havia abandonado tudo para ficar com ele. Ele também já fizera o mesmo. Os dois se amavam, não havia dúvida. Questionava-se ela se o amor era suficiente. Ela gostava de beijos, de abraços, de elogios, dos sussurros, das carícias sem tempo nem hora. Ele era pacato, calado, objetivo, prático e não entendia os porquês de todo aquele drama.
Mas não era drama. Ela realmente precisava daquilo. Precisava se sentir amada e ele não a aquecia. Ela queria paixão. Queria mais da vida. E sabia que a vida podia ser mais do que aquilo. As praticidades diárias eram pouco pra ela. Sua alma ardia. Seu coração também.
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