terça-feira, 1 de maio de 2012

Maria sem música

No fundo, ela sabia. Algo havia se quebrado. Seu riso era diferente. Ela não se reconhecia mais. Sua tristeza havia lhe tirado até sua identidade. Olhava pra ele e tudo aquilo não fazia muito sentido, senão pelo pequeno Francisco que ainda segurava em seus braços. O garoto precisava dos dois, pensava. Por outro lado, de que dois ele estava sentindo falta? Faltava acalanto, ternura, afeto, faltava uma música que lhes saltasse a alma e fizesse com que os dois se reconhecessem de novo. Há muito ela esperava que a música tocasse, mas o CD parecia arranhado e o que tocava ela realmente não queria mais ouvir. 
Sim, havia uma vontade de estar junto. Ela já havia abandonado tudo para ficar com ele. Ele também já fizera o mesmo. Os dois se amavam, não havia dúvida. Questionava-se ela se o amor era suficiente. Ela gostava de beijos, de abraços, de elogios, dos sussurros, das carícias sem tempo nem hora. Ele era pacato, calado, objetivo, prático e não entendia os porquês de todo aquele drama. 
Mas não era drama. Ela realmente precisava daquilo. Precisava se sentir amada e ele não a aquecia. Ela queria paixão. Queria mais da vida. E sabia que a vida podia ser mais do que aquilo. As praticidades diárias eram pouco pra ela. Sua alma ardia. Seu coração também

Nenhum comentário: