Moravam longe. Pouco se viam. Eram anos de um relacionamento em que o telefone e a internet eram o único meio de diminuir distâncias. Ela não conseguia mais amar. Não achava ninguém interessante. Não encontrava brilho em nenhum dos olhos que a noite lhe apresentava. Parecia que a vida já havia lhe tirado a capacidade de acreditar no outro. Ele não. Mantinha aquele relacionamento com ela, apenas para ter a certeza de que alguém o compreendia. Chegava em casa e deitava com a mulher, cujo amor ele negava.Ele precisava falar com ela, conversar e dividir suas meias-verdades. Ela falava pouco. Resumia-se a escutar e a desejar que em alguma daquelas falas, algo a alimentasse. Gostava de suas doces risadas e da sua liberdade ainda que ele estivesse preso em suas próprias mentiras.
Precisavam um do outro. Por muitas vezes, tentaram não mais se falar. Não aguentavam. Havia algo nele que só ela era capaz de entender. Havia algo nela que só ele era capaz de desvendar. Se liam nas falas um do outro e utilizavam-se daquilo para tentar ir além.
Ela odiava mentira e ele mentia compulsivamente. Ele detestava gente sem ambição e sem propósito e ela não tinha nenhum dos dois.
Não via nele alguém que a pudesse fazer feliz. Não via nela alguém capaz de fazê-lo amar. Ainda assim, precisavam se falar todos os dias e saber um do outro, como se isso fosse capaz de lhes trazer de volta a vida.
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