domingo, 12 de agosto de 2012

Pai, pra quê te quero?

Alguém no mundo inventou que amor de mãe é diferente de amor de pai. O tal instinto materno nos conduziria a um amor único e, por isso, somos nós as mães e mulheres as únicas capazes de um amor perfeito, da abdicação, da resignação, de aguentar duras jornadas de trabalho e de ainda chegarmos em casa cheias de sorrisos e afagos para distribuir aos nossos filhos e companheiros... Quanta bobagem! Mas uma bobagem repetida durante séculos vira uma verdade inquestionável.

Os tempos evoluíram e novas concepções de afeto e de família têm ajudado a desmistificar que somos nós e só nós as capazes do amor. Ufa!!!  

Tive a sorte de crescer num lar com mãe e pai. Minha mãe se foi quando eu completei 18 anos. Tive mãe até ingressar na idade adulta. Mas, a verdade é que a Geração Coca-Cola - da qual faço parte - foi muito poupada pela geração da ditadura e chegou à idade adulta imatura demais e ainda muito carente de colo de pai e mãe. 

Minha mãe se foi e eu vi meu pai virar uma galinha matrona que coloca os pintinhos embaixo da asa. Por isso, tenho absoluta certeza de que mães e pais são igualmente capazes do amor, da resignação e da abdicação em prol da felicidade de seus filhos e que, fácil mesmo para um mundo de concepções machistas, é prosseguir neste discurso incansável de que cabe às mães o afeto.

Hoje, enxergo meu pai em mim mesma. Falo com meus filhos e escuto sua voz na minha. Dele herdei a honestidade, a vontade de acertar, a preocupação com o próximo e, também, o jeitão desligado, a completa distração, motivo de risadas frequentes dos amigos mais chegados. 

Não sou mais a menina de 18 anos, mas necessito ouvir a voz do meu pai todos os dias, de seu ombro e colo amigos, de sua risada desmedida diante das traquinagens dos meus filhos, da sua opinião sempre tão serena diante das minhas decisões e preciso, principalmente, de seu amor obstinado de pai. 


Nenhum comentário: