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| Mutantes, Gal, Caetano e Gil na estréia de “Divino Maravilhoso” na TV Tupi, em 28 de outubro de 68. (Paulo Salomão – Abril Imagens) Retirado do site www.tropicalia.com |
Ontem fui assistir Tropicália.
O documentário é um registro histórico maravilhoso sobre música, teatro, arte e sobre todo o conceito do que era ser tropicalista nos anos 60 e 70 e também sobre a desconstrução deste conceito. Imperdível!
Adoro cinema. Gosto do cheiro das salas fechadas, do escurinho, da pipoca e, principalmente daquela sensação de estar só diante daquela telona. Ali é você, a tela e uma história que é só sua. Não importa se o cinema está cheio. A história é sua e você fará uma leitura única e diferente de todo mundo que tá ali enchendo aquele espaço.
Voltando... O filme é todo bacana, mas no meio daquele bando de histórias e depoimentos alguém lembrou de "Panis et Circenses" e "das pessoas na sala de jantar tão ocupadas em nascer e morrer". E eu comecei a minha viagem pessoal, minha história única: lembrei de mim, da minha família, dos meus amigos, dos meus filhos. Desejei ardentemente nunca ser a pessoa adulta e chata da sala de jantar; desejei não cair no senso comum; desejei não ser metade e ser sempre inteira; desejei nunca me contentar com uma vida pequena; desejei ser uma senhora atrevida, ousada e bem humorada; desejei que os anos não me tornem ranzinza, nem careta; desejei alimentar sonhos até o último dia da minha vida. Rezei.
Uma vez meu filho me disse: "Mamãe, eu não quero crescer". Eu pensei:
"-Jesus, síndrome de Peter Pan não, né?" O triste é que de vez em quando ele repete isso. Até ontem, eu tinha sempre uma sensação ruim quando escutava essa frase, porque sempre pensava que ele devia achar a minha vida um saco ou ainda que devia achar os modelos adultos a sua volta um tédio.
Ontem, cheguei em casa e não me contive, perguntei: "Filho, porque você não quer crescer?" E ele respondeu: "Mamãe, eu gosto muito de brincar, de ir pra minha escola, de fazer judô e de poder ir na piscina todo dia. Também gosto de dormir perto de vc e da Isa. Acho melhor ser desse tamanho que eu sou." Que alívio... Ele não acha horrível ser adulto... Ele só acha bom ser criança!
Mesmo assim, "Panis et Circentes" soa e ecoa nos meus ouvidos como uma sirene dessas bem escandalosas: "- Seja adulta, mas não fique aí parada nessa sala de jantar sem graça..."

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